Em alguma parte, durante o breve momento que precede o alvorecer, a luz das estrelas cintilava com intensidade em poças d’água barrenta. Relâmpagos clareavam assustadoramente o chão lamacento coberto pelas últimas sombras da madrugada, embora o céu acima permanecesse impecavelmente limpo. Os raios não vinham do alto, mas de dentro da própria escuridão. Aquelas sombras antes do nascer do sol, as mais escuras de todas, refletiam um outro mundo, longínquo demais para qualquer mapa e ao mesmo tempo muito perto para não ser encontrado.
Nesse outro mundo, protegido pela solidez de seus aposentos incrustados na rocha, um velho anão estava imperturbável frente à tempestade que caía ferozmente do lado de fora. Os rugidos abafados de trovões distantes e os demais sons da chuva sequer eram capazes de se sobrepor ao ranger monótono de sua cadeira de balanço.
O pequeno cômodo era iluminado por um único toco de vela. Além da cadeira, sobre a qual o homem tragava preguiçosamente um cachimbo, havia ali um catre, uma cômoda rústica e um banco servindo de suporte a uma botija com água. A isso resumiam-se seus pertences. Havia outro objeto preso à parede, mas aquele não lhe pertencia.
Tratava-se de uma adaga feita de sombra, envolta por um intrigante véu etéreo.
O velho anão olhava para ela enquanto exalava pequenas quantidades de fumaça com o cachimbo na mão. Fazia aquilo sempre que a melancolia do exílio recaía sobre ele. Ainda alimentava esperanças de que Hermes voltaria para buscar a arma. O campeão encontraria um modo, ainda que levasse muitos anos...
O sono fez o anão perder a noção do tempo. Já haviam se passado muitos anos, e Hermes, o campeão do rei, jamais voltara. Assim, absorto em pensamentos, ele adormeceu na cadeira antes mesmo que a luz da vela se extinguisse. Mais um instante acordado e teria visto a lâmina de sombra da adaga crepitar descompassadamente com o fim da chama da vela e a silhueta de uma mulher caminhar pelo quarto.
Nesse outro mundo, protegido pela solidez de seus aposentos incrustados na rocha, um velho anão estava imperturbável frente à tempestade que caía ferozmente do lado de fora. Os rugidos abafados de trovões distantes e os demais sons da chuva sequer eram capazes de se sobrepor ao ranger monótono de sua cadeira de balanço.
O pequeno cômodo era iluminado por um único toco de vela. Além da cadeira, sobre a qual o homem tragava preguiçosamente um cachimbo, havia ali um catre, uma cômoda rústica e um banco servindo de suporte a uma botija com água. A isso resumiam-se seus pertences. Havia outro objeto preso à parede, mas aquele não lhe pertencia.
Tratava-se de uma adaga feita de sombra, envolta por um intrigante véu etéreo.
O velho anão olhava para ela enquanto exalava pequenas quantidades de fumaça com o cachimbo na mão. Fazia aquilo sempre que a melancolia do exílio recaía sobre ele. Ainda alimentava esperanças de que Hermes voltaria para buscar a arma. O campeão encontraria um modo, ainda que levasse muitos anos...
O sono fez o anão perder a noção do tempo. Já haviam se passado muitos anos, e Hermes, o campeão do rei, jamais voltara. Assim, absorto em pensamentos, ele adormeceu na cadeira antes mesmo que a luz da vela se extinguisse. Mais um instante acordado e teria visto a lâmina de sombra da adaga crepitar descompassadamente com o fim da chama da vela e a silhueta de uma mulher caminhar pelo quarto.


6 comentários:
Que legal! Grande surpresa! Amanhã deixo um comentário consistente. Vou ser leitor assíduo!
Prepara um banner, brother!
Um abração!
Já no primeiro parágrafo fiquei com a impressão de um texto tri visual. Pude visualizar a noite, a tempestade...
O anão na caverna, a adaga de sombra, elementos fascinantes da fantasia.
O texto é rápido na medida certa para qum lê na internet.
Ficam as perguntas, quem é o campeão do rei? Como se forjou uma adaga desse tipo? Quem é a suposta mulher que adentra o local de descanso do anão. Local esse que parece até mesmo ser uma espécie de prisão, um lugar para esperar pelo retorno do herói.
è um folhetim virtual de fantasia, toda semana, estarei fielmente aqui para acompanhar a aventura!
Um grande abraçoa, brother e sucesso! Faz um banner aí que quero divulgar lá no museu do terror e nas Terras de Lhu. Já coloquei o link das Crônicas de Tenébria lá nas Terras.
Ah, um detalhe muito importante, o título do blog está ótimo. Gostei muito de Tenébria, vem do tenebroso, das trevas, do macabro. Será uma história de fantasia repleta de terror?
Vamos nos falando!
muito legal o texto!
fala, Duda!
Que bom que o texto ficou rápido! Se Hemingway tivesse escrito para a internet imagino que repetiria aquela coisa de 'cortar tudo que não fosse necessário' a cada dez minutos!
Então, várias perguntas, né? Uma já ficará 'meio respondida' na semana que vem, as outras respostas virão aos poucos, como tem que ser.
Sobre o nome: tem muito mais relação com o ambiente do que com o gênero. A história não é tão macabra assim.
A gente conversa sobre o banner!
abraço!
ÓTIMA CRONICA!
ESPERAREI OUTROS TEXTOS!!
BJO
Li E gostei bastante! Parabéns! pelo poste e pelo blog, vou seguir...
Postar um comentário