Rafael acendeu um cigarro. Escondido no parque, espremendo-se em um balanço pequeno demais para seu corpo adolescente, sentia-se a salvo do olhar inquisitivo do avô. Mais cedo, antes que os dois voltassem a discutir por causa do vício, inventara um passeio com o cachorro para poder fumar em paz. Quando ele vai parar de agir como se fosse meu pai? — pensava ao observar o cão pular e latir na tentativa frustrada de apanhar algum inseto voador.
Era fim de tarde e naquela época do ano o frio vinha com o cair da noite em São Paulo. A chuva do dia anterior dera uma trégua e Rafael procurava por sinais no céu que o prevenissem de ser surpreendido caso ela tornasse a cair. Pensou que talvez devesse se apressar.
Conforme o cigarro diminuía, problemas vinham à sua mente. Não queria que os pais o tivessem mandado passar as férias todas na casa do avô, tampouco ter sido reprovado na escola, mas algumas coisas simplesmente acontecem e não se pode fazer nada a respeito. De que adiantava ficar longe de casa? Quem sabe os pais precisassem de um tempo sem ele.
Encolhendo-se um pouco com o frio que aumentava, o rapaz decidiu acabar logo de fumar e ir embora. Dava longas tragadas no cigarro, e a fumaça que espirava espantou uma mariposa que surgira de repente. Outras vieram em seguida, todas cinzentas, voando desacertadas à sua frente. Depois, mais outras. Não se lembrava de alguma vez ter visto tantas assim no mesmo lugar. Devia ser para uma delas que o cachorro latira antes. Por que ficara quieto agora que havia tantas? Procurou-o com os olhos, mas não o encontrou. Não importava. Rafael estava hipnotizado pelo modo como as mariposas voavam. Por um momento pensou ver alguma ordem no caos daquele bater de asas e não conseguia mais tirar os olhos dos insetos. Porém, ao som de um trovão, viu as mariposas se dissiparem todas de uma vez.
Levou um instante até que Rafael se livrasse do transe a que fora acometido. Encontrou o cachorro choramingando próximo a ele, apagou o cigarro e tomou o rumo da casa do avô antes que recomeçasse a chover.
Era fim de tarde e naquela época do ano o frio vinha com o cair da noite em São Paulo. A chuva do dia anterior dera uma trégua e Rafael procurava por sinais no céu que o prevenissem de ser surpreendido caso ela tornasse a cair. Pensou que talvez devesse se apressar.
Conforme o cigarro diminuía, problemas vinham à sua mente. Não queria que os pais o tivessem mandado passar as férias todas na casa do avô, tampouco ter sido reprovado na escola, mas algumas coisas simplesmente acontecem e não se pode fazer nada a respeito. De que adiantava ficar longe de casa? Quem sabe os pais precisassem de um tempo sem ele.
Encolhendo-se um pouco com o frio que aumentava, o rapaz decidiu acabar logo de fumar e ir embora. Dava longas tragadas no cigarro, e a fumaça que espirava espantou uma mariposa que surgira de repente. Outras vieram em seguida, todas cinzentas, voando desacertadas à sua frente. Depois, mais outras. Não se lembrava de alguma vez ter visto tantas assim no mesmo lugar. Devia ser para uma delas que o cachorro latira antes. Por que ficara quieto agora que havia tantas? Procurou-o com os olhos, mas não o encontrou. Não importava. Rafael estava hipnotizado pelo modo como as mariposas voavam. Por um momento pensou ver alguma ordem no caos daquele bater de asas e não conseguia mais tirar os olhos dos insetos. Porém, ao som de um trovão, viu as mariposas se dissiparem todas de uma vez.
Levou um instante até que Rafael se livrasse do transe a que fora acometido. Encontrou o cachorro choramingando próximo a ele, apagou o cigarro e tomou o rumo da casa do avô antes que recomeçasse a chover.


3 comentários:
MUITO BOM, pessoa!!
Que imaginação mais fértil... a chuva ajuda com essa fertilidade, né??
Hoje caiu o mundo... pena eu não ter tido tempo de escrever para comprovar sua teoria.
Chuva e mariposas. Bom casamento.
Um cão fiel sempre é um personagem legal pra se ter por perto!
Continuo acompahando...
Um abraço, brother!
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